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  • A América Sou Eu

    Me faz um bem danado estar a passeio em São Paulo. Foram 10 dias na locomotiva, tempo suficiente para comprar discos, conhecer bares e restaurantes diferentes, rever os velhos amigos, fazer novos, comer o melhor lamen da vida (hm, foi o primeiro, mas tudo indica que será o melhor de todos), visitar a Beth e assistir aos shows do Mogwai, Yo La Tengo e do Stereolab.

    É capaz que volte a escrever sobre a viagem, só quero contar primeiro outra experiência.

    Sábado, estive no Instituto Moreira Salles para visitar a exposição Gordon Parks: A América Sou Eu. Sem exageros, uma das melhores que já vi. A mostra apresenta a obra do primeiro fotógrafo negro da revista Life e também o primeiro negro a assumir a direção de cinema por um grande estúdio por Com o Terror na Alma. Fui abatido pela força das fotografias expostas e mais que uma vez, me peguei sem palavras enquanto passeava com a Jéssica e a Manu. Gostaria de retornar ao museu para observar as imagens com a calma que merecem. E pretendo fazer isso antes de seu encerramento.

    Parks foi um dos maiores fotógrafos do século 20. Nasceu em meio à pobreza do interior do Kansas e aprendeu a usar sozinho a câmera que comprou de segunda (ou terceira) mão numa loja de penhores. O resto é, literalmente, história: clicou momentos importantes de Muhammad Ali, Martin Luther King e Malcolm X; Cobriu a Marcha sobre Washington, o crescimento da Nação do Islã e a formação do Partido dos Panteras Negras; Foi documentarista ativo na crise dos direitos civis que se espalhou pelos Estados Unidos nos anos 60, mas, suas fotos mais bonitas, impactantes e políticas foram as que tirou de gente comum. De trabalhadores com os filhos em momentos simples. De orações em família, da mulher regando uma flor com cuidado em sua janela pela manhã. Da vida cotidiana que acontecia no Harlem e no Brooklyn enquanto o país sangrava com a segregação racial.

    Exposta em dois andares, a mostra reúne cerca de 200 imagens feitas entre 1940 e 1970 que contam uma retrospectiva de sua obra e da história americana.

    Você pode seguir o perfil da Fundação Gordon Parks no Instagram.

    Gordon Parks: A América Sou Eu está exposta no IMS até dia 1/3/2026. Com curadoria de Janaina Damaceno, Iliriana Rodrigues e Maria Luiza Meneses. Dê uma chance, que é grátis e não requer agendamento.

    Anexos

    Snocaps é o som da vez por aqui. Trata-se do novo projeto das irmãs Crutchfield, Katie (a Waxahatchee) e Allison, com o MJ Lenderman. É o mesmo indie caipira que caracteriza o som dos envolvidos, porém, lo-fi.

    • Glen Powell e o Saturday Night Live recriaram o clipe de Weapon of Choice do Fat Boy Slim para anunciar o programa de sábado (15). O original em 4K, com Christopher Walken (e dirigido por Spike Jonze), aqui.

    • Ando questionando o tempo e energia que invisto em redes sociais. Recentemente, li dois textos da Vanessa Guedes que me somaram à sua perspectiva. Esse, Privacidade e Propaganda, e outro, sobre o horror da superexposição.

    • Ainda sobre internet, o Kyle Chayka da revista New Yorker cravou essa mudança de paradigma: o legal agora, é ter poucos e restritos seguidores. 

    • Para a Stereogum, em comemoração aos 80 anos de Neil Young, 80 artistas escolheram suas músicas favoritas do velhinho. A minha é Only Love Can Break Your Heart.

    • Essa foto da Sinéad O’Connor com a Chrissie Hynde em Londres, circa 1995:

    Obrigado a você que continua me acompanhando. Por hoje é só.

    Até a próxima.