• Diane Keaton (1946 – 2025)

    Quando você olha nos olhos de uma grande intérprete, enxerga toda a profundidade de sua vida. Diane Keaton era naturalmente engraçada e levava boa parte de sua inteligência, autenticidade e da paixão que sentia pela moda para suas personagens.

    A esposa original da máfia ditou mais que uma dezena de regras para uma boa comédia romântica. Trouxe graça para histórias conflituosas e complexas — desde que desceu daquele taxi para o cinema, aborrecida porque havia perdido a terapia em Annie Hall, um dos filmes que levarei no coração para sempre.

    Diane transcendeu o cinema e se tornou uma grande personalidade além da mídia. Teve a coragem de viver sob seus próprios termos: Nunca hesitou em fazer papéis difíceis, também dirigiu filmes e séries; Teve seus relacionamentos, mas não se casou. Só começou uma família quando tinha 50 anos, quando estava pronta. Não abriu mão de sua independência e foi feliz.

    Você foi incrível, Annie. La-Di-Da.

    Minha revisão de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa no Letterboxd.

  • A vida é uma mistura de coisas tristes e alegres

    Yi Yi (A One and a Two…), Edward Yang, 2000

    “Porque o mundo é tão diferente do que pensei que fosse? Quando fecho os olhos, o mundo que vejo é tão lindo.”

    As Coisas Simples da Vida encapsula um oceano de sentimentos e situações universais: amadurecimento, perda e arrependimento.

    Em um único dia, que deveria ser de sorte, a vida de NJ — um empresário que já teve seu golpe de sucesso no mundo da tecnologia — começa a desmoronar. Ele enfrenta reveses em todas as esferas: a empresa ameaça ruir, um amor mal resolvido ressurge, a mãe sofre um derrame. Paralelamente, amigos e familiares também se debatem em suas próprias crises. Nada é tratado com dramatização exagerada ou pretensiosidade filosófica. Pelo contrário: tudo se apresenta com a naturalidade da vida. A dor é concreta, mas expressa de forma sutil. Viver, aqui, é aceitar os altos e baixos: crescimento, perda, decadência e renovação. Um processo que, muitas vezes, custa sonhos e relacionamentos.

    A direção de Edward Yang é prova de que a verdadeira sofisticação reside no simples. Mesmo com tantos personagens e camadas, tudo é conduzido com leveza e sensibilidade. Ele observa homens e mulheres de todas as idades lidando com questões íntimas — e o faz com a mesma finesse e naturalidade que Robert Altman em seus melhores momentos.

    Letterboxd