“Criamos algo que vai continuar mesmo depois que estivermos mortos e enterrados.”

Nova York, 1973. Ace, um maluco do Bronx, de ascendência cherokee, foi o último integrante original a entrar para o Kiss, até então, Wicked Lester. Talvez o mais autêntico dos quatro. Dono de um estilo cru, despretensioso e elétrico que definiu o som da banda. Louco não é exagero. Apareceu para o teste na banda calçando um tênis de cada cor, vestido como um maltrapilho, um estranho vindo do espaço.
Um dos guitarristas mais influentes do início dos anos 70, Ace foi o motivo pelo qual (pelo menos) duas gerações de adolescentes quiseram tocar uma guitarra pela primeira vez. Se possível, aquela Les Paul Custom, Tobacco Burst, com 3 captadores duplos. Seu som era básico, mas extremamente melódico e cantarolável: os riffs de Parasite, Cold Gin e God of Thunder e solos de Deuce, Love Gun e Detroit Rock City. Todos carregados de sua assinatura inconfundível.
Quando olho para a capa do “Alive!” é o impacto de sua imagem com a guitarra esfumaçante que mais me chama a atenção.
O abuso de álcool e drogas fez com que Ace, saísse fora de sintonia com os colegas e deixasse o quarteto. É também uma pena que na reunião da banda nos anos 90, suas habilidades estivessem tão deterioradas.

Ace Frehley faleceu hoje. Já separei aqui, com tristeza, minha camisa do Rock and Roll Over para vestir amanhã. É a homenagem que presto, como fã do Kiss, a um super-herói da vida real, cheio de defeitos, mas na mesma medida, emblemático. Me entristece não tê-lo assistido no auge e no palco. Uma ferida que vai deixar cicatriz no coração.
Faça boa viagem de volta ao espaço. Nos vemos nas estrelas.
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