A vida é uma mistura de coisas tristes e alegres

Yi Yi (A One and a Two…), Edward Yang, 2000

“Porque o mundo é tão diferente do que pensei que fosse? Quando fecho os olhos, o mundo que vejo é tão lindo.”

As Coisas Simples da Vida encapsula um oceano de sentimentos e situações universais: amadurecimento, perda e arrependimento.

Em um único dia, que deveria ser de sorte, a vida de NJ — um empresário que já teve seu golpe de sucesso no mundo da tecnologia — começa a desmoronar. Ele enfrenta reveses em todas as esferas: a empresa ameaça ruir, um amor mal resolvido ressurge, a mãe sofre um derrame. Paralelamente, amigos e familiares também se debatem em suas próprias crises. Nada é tratado com dramatização exagerada ou pretensiosidade filosófica. Pelo contrário: tudo se apresenta com a naturalidade da vida. A dor é concreta, mas expressa de forma sutil. Viver, aqui, é aceitar os altos e baixos: crescimento, perda, decadência e renovação. Um processo que, muitas vezes, custa sonhos e relacionamentos.

A direção de Edward Yang é prova de que a verdadeira sofisticação reside no simples. Mesmo com tantos personagens e camadas, tudo é conduzido com leveza e sensibilidade. Ele observa homens e mulheres de todas as idades lidando com questões íntimas — e o faz com a mesma finesse e naturalidade que Robert Altman em seus melhores momentos.

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Gabriel Caetano
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